A RGG Studio está tentando contar 50 anos da vida de um homem que cresceu entre duas culturas. Em Stranger Than Heaven, isso vai aparecer até nas vozes dos personagens: a equipe decidiu não usar uma dublagem convencional, na qual todos simplesmente passam a falar outro idioma. O inglês e o japonês vão se misturar conforme a situação, porque a dificuldade de se comunicar faz parte da história de Makoto Daito.
A explicação veio numa entrevista publicada nesta quinta-feira (24) pelo Geek Culture, que conversou com os responsáveis pelo jogo durante a Tokyo Game Show 2026. Segundo o diretor Mikinobu Abe, representar naturalmente a maneira como Daito conversa com pessoas de diferentes origens exigiu atenção especial. O protagonista nasceu nos Estados Unidos, tem ascendência japonesa e americana e parte para o Japão em busca de uma vida diferente.
Uma escolha que começa antes da dublagem
Quando um jogo tem personagens de países diferentes, o caminho mais comum é oferecer uma faixa de áudio inteiramente traduzida. Só que, neste caso, a própria diferença entre os idiomas faz parte dos encontros. O produtor Hiroyuki Sakamoto explicou que uma interpretação perfeitamente fluente poderia apagar a dificuldade de alguém que está aprendendo uma língua ou tentando se adaptar a outro país. Por isso, a RGG optou por um elenco capaz de interpretar os personagens nos idiomas que a cena exige.
É uma decisão que também coloca um desafio para o jogador. Em vez de tratar a localização de áudio como algo totalmente separado da narrativa, Stranger Than Heaven pretende usar a maneira como os personagens falam para mostrar proximidade, distância e mudanças nas relações. Ainda não sabemos como todas essas cenas funcionarão ao longo de uma campanha que atravessa cinco épocas, mas a intenção descrita pelo estúdio é clara.
A música também participa da história
A mesma entrevista revela que Makoto tem talento para música e poderá registrar sons que encontra pelo mundo. Compositores usarão essas gravações para criar peças, e o protagonista poderá procurar músicos para apresentações que organiza. Para Ryosuke Horii, diretor-chefe do projeto, a música representa uma forma de contato que continua funcionando quando os personagens não conseguem se entender apenas por palavras.
Veja como isso conversa com a escala anunciada para o jogo. A aventura começa em Fukuoka, em 1915, e passa por Hiroshima, Osaka, Shizuoka e Tóquio até 1965. A apresentação oficial do Xbox já havia mostrado o percurso de Daito e sua ligação com Orpheus, personagem interpretado por Snoop Dogg, que descobre o talento musical do rapaz. O relato desta semana ajuda a entender que a música não foi pensada apenas como uma coleção de canções de época.
E o combate de Yakuza?
A RGG também quer que o novo projeto tenha uma identidade própria nas lutas. Em vez de depender de sequências de botões, Stranger Than Heaven usa defesa, aparos e um sistema de armas para transmitir o peso de confrontos mais violentos. À reportagem, o estúdio citou o cinema japonês de gângsteres como referência para golpes menos espetaculares e mais brutais.
São escolhas ambiciosas para um estúdio conhecido por misturar melodrama, pancadaria e momentos completamente absurdos em Yakuza e Like a Dragon. A dúvida interessante é como todas essas ideias vão conviver no mesmo jogo: cinco cidades, cinco épocas, dois idiomas que mudam conforme os personagens e um combate redesenhado. Temos uma proposta bastante detalhada; saber se ela funciona por dezenas de horas é outra conversa.
A Sega programou o lançamento para 15 de janeiro de 2027. O jogo terá versões para PS5, Xbox Series X|S e PC.
Fontes
Geek Culture — entrevista com a RGG Studio durante a TGS 2026 (24/09/2026).
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